SOBRE O BLOGUEIRO

Sou um Beatlemaniaco. Tudo começa assim... Fiquei reprovado duas vezes no Mobral, mas nunca desisti. Hoje, sou doutor em Parapsicologia formado na mesma turma do Padre Quevedo; sou antropólogo e sociólogo formado, com honra, em cursos por correspondência pelo Instituto Universal Brasileiro. Em minha vasta carreira acadêmica também frequentei até o nono ano de Medicina Cibernética, Letras Explosivas, Química da Pesada, Direito Irregularmente torto e assisti a quase todas as aulas do Telecurso 2000 repetidas vezes até desistir de vez. Minha maior descoberta foi uma fábrica secreta de cogumelos venenosos comestíveis no meio da Amazônia Boreal. Já tive duas bandas de Rock que nunca tocaram uma música se quer. Comi duas vezes, quando criança, caspas gigantes da China pensando que era merda amarela. Depois de tudo isso, tornei-me blogueiro. Se eu posso, você pode também. Sou um homem de muita opinião e isso desagrada muita gente. Os temas postados aqui objetivam enfurecer um bom número de cidadãos.

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terça-feira, 30 de agosto de 2011

UERN: Greve completa 90 dias





A greve dos professores da UERN completa hoje 90 dias e amanhã (30) a ADUERN irá realizar Assembleia Geral Extraordinária para avaliar o movimento paredista. Caso o Governo do Estado envie resposta à última proposta apresentada pelo Sindicato, ela será submetida à apreciação da assembleia.
A proposta apresentada pela ADUERN solicita o reajuste de 14% para abril de 2012, o descontingenciamento do orçamento da UERN e o atendimento a pauta dos estudantes. Até semana passada, o Governo do Estado insistia no pagamento de somente 10,65%, o que não contempla a inflação acumulada do período.

NOTA DE ESCLARECIMENTO SOBRE A POSIÇÃO OFICIAL DO GOVERNO EM RELAÇÃO A GREVE DA UERN
Secretário vê motivação política para a manutenção de greve na UERN

A manchete acima corresponde à matéria publicada sábado 27 de agosto de 2011 no Jornal de Fato (ver texto completo no link: http://www.defato.com/politica.php). Através dela, o porta voz oficial do governo do Estado, Secretário de Administração José Anselmo de Carvalho, provavelmente orientado pela Governadora Rosalba Ciarlini, acusa a greve da UERN de está sendo conduzida por interesses político-partidários. Vejam na íntegra o que afirma o secretário: "O que surpreende é a questão da rejeição das propostas que o governo faz e, por isso, não descarto que (a greve) tenha influências partidárias (...) As suspeitas de ingerência partidária se devem ao fato da maioria dos militantes sindicais estarem ligados a partidos políticos que tendem a apresentar candidatos nas próximas eleições municipais. Como a UERN é sediada em Mossoró, o objetivo seria beneficiar nomes ligados ao PT e ao PSB”.

Antes que tudo, inicialmente fazemos os seguintes esclarecimentos:

1.  O Comando de Greve dos Professores é suprapartidário, ou seja, nele encontram-se professores filiados ao PT, PCdoB e PMDB. Não identificamos nenhum membro filiado ao PSB, pelos menos ninguém se manifestou enquanto tal; também não sondamos essa possibilidade e muito menos investigamos a vida política partidária de nenhum membro. É necessário reter que a maioria de seus membros não tem nenhuma filiação partidária. Alguns até já manifestaram ter votado em Rosalba Ciarlini para o governo do Estado;

2.  A Assembleia Geral dos Professores é a instância que delibera o início e o fim da greve. Cada membro do Comando tem apenas um voto na Assembleia Geral.

3.  Sobre nossas reivindicações, esclarecemos que, o que estamos reivindicando do ponto de vista salarial (23,98%) é um direito que a categoria conquistou através de seu Plano de Cargos e Salário de 1989. Imbuído de nossa responsabilidade institucional, nossa pauta de reivindicações também inclui: descontingenciamento do orçamento da UERN; suplementação de verbas, autonomia financeira, entre outros;

4.  Em relação ao movimento paredista, o Governo só se manifestou oficialmente com aproximadamente 20 dias de greve, mesmo assim de forma vazia, tendo em vista que propôs que a greve fosse suspensa uma vez que só em setembro de 2011 o governo teria possibilidade de atender as reivindicações;

5.  Em seguida, com aproximadamente 50 dias de greve o governo propôs a possibilidade de aumento para 2011 de 3% “se o limite prudencial do Estado não for um elemento impeditivo”;

6.  Finalmente, com 70 dias de greve o governo do Estado propôs oficialmente o escalonamento dos 23,98% reivindicado até 2014;

7.  A ADUERN comandou diversas greves nos três últimos governos estaduais: Garibaldi Filho, Wilma de Faria e Rosalba Ciarlini. Vale ressaltar que desses três governos foi a Governadora Vilma de Faria quem mais atendeu as reivindicações salariais dos professores, chegando em 07 anos de governo a aproximadamente 110% de aumento para a categoria. Vale acrescentar também, que mesmo assim foi no governo Wilma de Faria que mais aconteceram greves na UERN. Isto é uma prova inconteste que a greve não é partidária, mas move-se por interesses estritamente institucionais;

Dizer que a categoria sistematicamente recusou as propostas do governo não condiz com a verdade, afinal, pelo exposto só com 70 dias de greve foi que o executivo estadual fez uma proposta concreta e discutível. Diante desta, abrindo mão da pauta original, a categoria de professores aceitou os prazos e os índices propostos pelo executivo estadual na certeza e com a convicção de que estava contribuindo para resolver o impasse. Nossa resposta ao governo incorporava sua proposição e acrescentava aos índices sugeridos os percentuais correspondentes à variação da inflação acumulada no período como forma de não impor perdas salariais à categoria ao longo dos próximos anos. Ressalte-se que no início do processo de negociação, membros do governo já haviam sinalizado positivamente com a possibilidade de atender o percentual apresentado, corrigindo os índices sugeridos, assim como acrescentado dos resíduos inflacionários que porventura existissem. Neste aspecto, foi o governo quem recuou de sua proposta.

Ainda sobre a ampla pauta de reivindicações da greve, em diversas ocasiões o Governo Estadual se comprometeu em descontingenciar os recursos financeiros da UERN. Entretanto, até este momento a liberação dos recursos não foi efetivada. Quem se nega a negociar?

Na verdade, o Secretário Anselmo Carvalho na medida em que acusa o movimento paredista de partidarismo tenta rebaixar e desqualificar o debate. Porque ao invés de se deter e opinar sobre a pauta de reivindicações da categoria, que é a motivação maior da greve, faz ilações especulativas em torno de intenções que só existem em sua mente, porque os fatos reais não correspondem às suas supostas afirmações.

Também é preciso reter, que em diversas ocasiões a governadora Rosalba Ciarlini acusou o movimento paredista de ser partidário, uma vez “que no governo de Wilma de Faria a categoria aceitou um escalonamento de três anos, mas no governo dela esta mesma categoria não se dispõe a aceitar o mesmo escalonamento”. Aqui cabe um esclarecimento crucial: em primeiro lugar no governo Wilma de Faria nós aceitamos um escalonamento de três anos para o correspondente a 64% e não para 27% em três anos como propõe a governadora Rosalba Ciarlini. Em segundo lugar, em 2007, ano do acordo com a Governadora Wilma de Faria, a inflação não chegava a 2% ao ano. Em 2011 a inflação pode chegar a um patamar de 6,5%, com projeções para 2012, 2013 e 2014 de 21% de inflação acumulada.

As insinuações provocativas do secretário têm como objetivo central escamotear as reais intenções do governo para com a UERN. Aqui cabe uma pergunta fundamental: Por que o governo contingenciou os recursos financeiros da instituição? Esta medida tem motivação política ou é de outra natureza? Por fim, diante de fatos tão incontestáveis, a conclusão isenta, ilibada e imparcial sobre o histórico deste movimento paredista, é que quem “esticou a corda da greve” foi o Governo Estadual.

Prof. Flaubert Fernandes Torquato Lopes
Presidente da ADUERN

Prof. Carlos Alberto Nascimento de Andrade
Membro do Comando de Greve dos Professores da UERN


domingo, 3 de julho de 2011

Greve no RN



O estado do RN está em greve, mas será essa a melhor forma de negociar?

Obs. Ao final desse texto, você será capaz de pensar criticamente sobre a questão da greve na educação no Estado do Rio Grande do Norte. Esse texto reflete a visão do seu autor, Bruno Coriolano, que não espera que todos concordem com o mesmo ponto de vista.

Nos últimos meses no brasil (eu grafo assim mesmo, com letra pequena) não se fala em outra coisa se não na repercussão do vídeo da professora Amanda Gurgel. A reação ao seu depoimento logo repercutiu nacionalmente por motivos óbvios: o que se joga na rede mundial de computadores logo vira notícia instantânea.

Que a educação nesse país é uma verdadeira porcaria (para não dizer M!@#), ninguém que tenha sua “base intelectual” na escola pública tem dúvidas. É verdade, isso que os alunos recebem durante suas horas de aulas nas escolas do governo desse país não prepara o alunado nem para o futuro e não serve para nada além de amputar a sua criatividade. Os alunos não se sentem motivados por não estudarem nada que tenha praticidade; eles não conseguem entender onde e quando irão colocar em prática os conteúdos ultrapassados, vistos entre quatro paredes quentes e muitas vezes despedaçadas.

A educação do estado do Rio Pequeno do Norte está parada. Que pena! mas somente agora descobriram isso? Não. A educação, não apenas nesse estado, mas no país todo já está em ruinas há anos. São décadas de descaso. Não estamos falando apenas de salário, mas de estrutura; incentivo e reconhecimento.

A professora mobilizou o país, mostrou o próprio contracheque e praticamente representou muitos profissionais da mesma situação. Até ai, tudo bem. Mas o que me chocou foi o fato que desencadeou, a meu ver, uma distorção do sentido de uma mobilização popular.

Os grevistas estão seguindo, mais uma vez, na contramão. É incrível como eles não conseguem enxergar o caminho mais eficaz. Eu faria tudo bem diferente, pois da forma que está; do modelo que estamos seguindo, não iremos alcançar, não somente hoje, mas nunca, o objetivo final: uma educação de melhor qualidade e forma de trabalho digno.

O problema não nasceu ontem ou há dois meses. A educação nacional é problema desde o seu embrião. Hoje ainda bem que se faz concurso, quando se faz, para contratar professor com pelo menos a graduação em nível superior para exercer o cargo. Tempos atrás os advogados eram professores, os Agentes de Serviços Gerais-ASGs eram professores, ganhavam a vida tapeando os alunos de forma que nada tinha qualidade. Qualquer um era professor. Isso desqualificou e deixou a profissão marginalizada, sem prestigio.

Temos que levantar a bandeira da educação de forma correta. Não acredito que sair às ruas pedindo aumento salarial vá resolver o problema. Essa forma é velha e está ultrapassada. Temos que fazer greve por qualidade de trabalho: condições melhores para trabalhar. Precisamos de escola equipadas e de profissionais preparados para o exercício da sua profissão, não de desordem. A meu ver quem perde mesmo com a greve é o alunado. Os mesmo não poderão prestar vestibular, assumir vagas em concursos públicos que exigem o Ensino Médio completo, por exemplo.

Sou a favor de uma paralização nacional, mas para que seja aprovada uma lei onde os filhos e netos de políticos eleitos com o voto popular tenham suas matriculas efetivadas em escolas e universidades públicas. Essa ideia não é minha, mas eu a abraço como se fosse. Acredito que se levantássemos esse debate poderíamos sonhar com escolas de qualidade. Teríamos mais investimento em todos os sentidos e ai sim, teríamos uma escola de qualidade.

Se for citar esse texto:

COSTA, Bruno Coriolano de Almeida. O estado do RN está em greve, mas será essa a melhor forma de negociar? Blog: www.mochileiro-das-galaxias.blogspot.com. On-line, 2011.