SOBRE O BLOGUEIRO

Sou um Beatlemaniaco. Tudo começa assim... Fiquei reprovado duas vezes no Mobral, mas nunca desisti. Hoje, sou doutor em Parapsicologia formado na mesma turma do Padre Quevedo; sou antropólogo e sociólogo formado, com honra, em cursos por correspondência pelo Instituto Universal Brasileiro. Em minha vasta carreira acadêmica também frequentei até o nono ano de Medicina Cibernética, Letras Explosivas, Química da Pesada, Direito Irregularmente torto e assisti a quase todas as aulas do Telecurso 2000 repetidas vezes até desistir de vez. Minha maior descoberta foi uma fábrica secreta de cogumelos venenosos comestíveis no meio da Amazônia Boreal. Já tive duas bandas de Rock que nunca tocaram uma música se quer. Comi duas vezes, quando criança, caspas gigantes da China pensando que era merda amarela. Depois de tudo isso, tornei-me blogueiro. Se eu posso, você pode também. Sou um homem de muita opinião e isso desagrada muita gente. Os temas postados aqui objetivam enfurecer um bom número de cidadãos.

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

[CRÔNICA] CHAPEUZINHO VERMELHO: VERSÃO DE QUEM TINHA MEDO DO LOBO.

[sweet Snow riding hood by Juli SnowWhite]




“Quanto mais doce a língua, mais afiados os dentes.”

Eu sempre vi os contos de fadas como verdadeiras histórias de terror. Isso mesmo. Não conseguia tirar da minha mente a imagem do lobo-mal. Na verdade, o medo sempre me fizera me concentrar mais no medo que eu tinha do lobo do que na magia que o conto parecia conter. Inúteis eram as palavras e as tentativas da minha mãe em me convencer a torcer pela protagonista, quando, na verdade, eu queria era que o lobo devorasse aquela menina tola.

Depois de crescido, não posso deixar passar essa chance de contar a minha própria versão. Não estou disposto a fazer o leitor gostar mais da minha do que da versão original, seja lá quem a tenha escrito. É apenas uma forma de mostrar que também podemos acreditar naquilo que quisermos.

Eu não tenho medo de dizer que a estorinha da menininha da capa vermelha ficaria mais engraçada se ela fosse uma vampira que levou um fora do lodo. Isso mesmo. Nesse caso, o lobo seria um bad boy mauricinho que não estava nem ai para o que acontecia na floresta. Esse negocio de que ele teria comido a vovozinho não está com nada. Um lobo forte, alto e elegante deveria era ter comido a irmã da Chapeuzinho Vermelho (quem foi que traduziu assim?). Pronto. Esse seria o motivo da moleca odiar tanto o lobão. Alias, o lobo poderia ser o fanfarrão que fazia de cada noite um happening na floresta. Muito Rock N Roll com Gim e Tônico. Olha... Outra coisa. Essa de que era uma floresta encantada não rola. Era uma floresta escrota para caralho. Melhor... Era uma boate. Isso mesmo. Uma boate. Rolava de tudo, só não podia quebrar o braço das meninas que não queriam dançar com um bad boy. Isso não era permitido.

Ok. Já temos os personagens, o enredo... O que mais está faltando?  Ah, falta sangue. Nessa bodega não morre ninguém não é?

Essa parada não começa com “era uma vez uma garotinha que foi visitar sua vovó”. Que brega! Isso é démodé! Anos 80! Assim não dá. Desse jeito é muita apelação. Nessa versão a Chapeuzinho não ia para a casa da vovó. Quem vai para casa de uma vovó pela floresta? Ela estava muito doidona pilotando um jaguar no centro de Milão quando foi desafiada a beijar o lobo naquela brincadeira de “verdade ou desafio”.

O leitor deve estar pensando que falta mais emoção; um clímax. Então vamos apimentar essa porcaria.

O lobo e a Chapeuzinho marcaram um encontro no bosque. Ele a olhava com um olhar maquiavélico cheio de péssimas intenções, enquanto ela estava ali toda tímida e boquiaberta.

-- Não me temes? – perguntou o animal.

-- Eu não. E você, não tem medo de mim? – perguntou a doce menina.

O lobo obviamente não entendeu nada. Temer uma criatura que parecia inofensiva? Foi nesse momento que o lobo ficou mais confuso. A Chapeuzinho se desfez de sua capa e depois de todo o resto e permaneceu ali parada em frente ao lobo por algum tempo. Quando o bobalhão começou a se animar, a boneca o agarrou por traz e revelou que ela na verdade era ele. Um traveco. 

Nem preciso contar o fim do lobo, que mais uma vez se deu mal. Pronto, agora as criancinhas nunca mais vão ouvir essas estórias sem graça que nos são impostas. Onde já se viu... Um lobo que come uma vovó? Que coisa mais sem noção. 

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